14.10.07

Destino

Em busca do destino a pessoa descobre-se a si mesma...

Flutuo...



Flutuo, consigo deslindar o meu gosto sem esforço
Balanço é o que a maré me dá e eu não contesto
O meu destino está fora de mim e eu aceito
Sou eu despida de medos e culpas, confesso

Hoje eu vou fingir que não vou voltar
Despeço-me do que mais quero
Só para não te ouvir dizer que as coisas vão mudar
amanhã

Flutuo, consigo deslindar o meu gosto sem esforço
Balanço é o que a maré me dá e eu não contesto
Amanhã, pensar nisso sempre me dá mais jeito
Fazer de mim pretérito mais que perfeito

Hoje eu vou fingir que não vou voltar
Despeço-me do que mais quero
Só para não te ouvir dizer que as coisas vão mudar
amanhã, amanhã

Hoje eu vou fugir para não me dar a vontade de ser tua
Só para não me ouvir dizer que as coisas vão mudar
amanhã, amanhã, amanhã
Flutuo

Susana Félix

12.10.07

Mudança...

Todos os dias são uma constante mudança...
Hoje quando olho para trás e vejo tudo aquilo que já fui e olho para o presente e vejo no que me tornei...quando vejo aquilo que os que me rodeiam já foram e aquilo que hoje o são (ou já não são)...sinto saudades de muita coisa e simultaneamente sinto-me bem com o facto de muita coisa ter mudado...
Ás vezes dou por mim a pensar que a única constante da vida é a mudança...
...o tempo muda...as rotinas mudam...os valores mudam...as pesssoas mudam...uma mudança constante do que nos rodeia verifica-se a cada momento da vida...à qual nem sempre somos capazes de nos adapatar facilmente...
Há quem abomine as mudanças...quem tenha medo e seja reticente em as aceitar...mas não são as mudanças são o sopro que nos move? Não são elas que nos fazem agir num ciclo vicioso de subordinada insatisfação? Se algo está bem...quer-se muito melhor...se algo está mal...quer-se bem...se não é assim pode ser "assado"...se não sabemos procuramos saber...se não somos procuramos ser...se não temos procuramos ter...
E como não vivemos sós neste mundo...uma mudança afecta e envolve sempre mais do que uma pessoa...não dizem que se uma borboleta bate as asas no Japão provoca um ciclone no lado oposto do mundo?...
Há muito tempo que aqui não divagava um bocadinho...
...pensamentos confusos de uma pessoa de natureza confusa...
JM

6.10.07

Pelos caminhos da Leitura...

"Quando duas pessoas se encontram, devem ser como dois lírios aquáticos que se abrem lado a lado, cada uma mostrando o seu coração dourado, e reflectindo o lago, as nuvens, e os céus. Não consigo entender porque é que um encontro gera sempre o oposto disto: corações fechados e medo de sofrimento.
Cada vez que estou contigo, conversamos por quatro, seis horas seguidas. Se pretendermos passar juntos todo este tempo, é importante não tentar esconder nada, e manter as pétalas bem abertas"




Kahil Gibran, em "Cartas de Amor do Profeta".
Imagem: googgle.com

20.9.07

Pelos caminhos da Leitura


Compreensão

"Procura achar o que há de melhor numa pessoa, e diz-lhe isso. Todos nós precisamos deste tipo de estímulo; cada vez que o meu trabalho é elogiado, torno-me mais humilde, porque não me sinto ignorado ou indesejado.


Todo o mundo possui alguma coisa que merece ser elogiada. Elogios significam compreensão. Somos excelentes seres humanos no nosso íntimo, e ninguém é melhor do que os outros; aprende a ver a grandeza do teu próximo, e verás também a tua própria grandeza."

Kahlil Gibran, em "Cartas de Amor do Profeta".


Imagem: Olhares.com.

4.9.07

Pelos caminhos da Leitura...

"O amor é consciente de si mesmo. É um impulso criativo; não tem outro propósito além de se preencher a si mesmo.
O ser humano é perfeito nas suas imperfeições. Tenho que aceitar que quando alguém se move muito devagar em determinada direcção é porque essa é a única maneira de ele percorrer aquele caminho.
A mesma coisa acontece com o amor."




Kahil Gibran, em "Cartas de Amor do Profeta"
Imagem: Olhares.com

3.9.07

Os Filósofos...e a sua concepção da Mulher...

"(...) Platão (...) era da opinião de que as mulheres poderiam governar o Estado tal como os homens, precisamente porque os soberanos devem governar a cidade-Estado em função da sua razão. Segundo Platão, as mulheres tinham tanta racionalidade como os homens, se recebessem a mesma formação, e se fossem ainda libertas do cuidado das crianças e das tarefas domésticas (...) ele diz também que um Estado que não educa e forma mulheres é como um homem que apenas exercita o seu braço direito. (...) Platão tinha uma opinião positiva dass mulheres - pelo menos para o seu tempo.



(...)


(...)[a] opinião de Aristóteles sobre a mulher (...) não era tão animadora como a de Platão. Aristóteles pensava que algo faltava à mulher. Ela é um «homem incompleto». Na reprodução, a mulher é passiva e receptora, enquanto o homem é activo e dador. Por isso, segundo Aristóteles, a criança herdava apenas as características do homem. A mulher é como o terreno que recebe e conserva a semente, enquanto o homem é o próprio «semeador». Ou, dito de uma forma verdadeiramente aristotélica: o homem dá a «forma», a mulher dá a «matéria». É surpreendente e lamentável que um homem tão perspicaz como Aristóteles se pudesse enganar de tal forma no que diz respeito à relação entre sexos. No entanto, revela duas coisas: em primeiro lugar, Aristóteles não tinha muita experiência prática da vida das mulheres e das crianças; em segundo lugar mostra como nos podemos enganar quando os homens detêm o poder absoluto na filosofia e na ciência.


A concepção aristotélica da mulher é particularmente grave porque se tornou predominante durante a Idade Média, e não a de Platão. Deste modo, também a Igreja herdou uma concepção da mulher para a qual não há justificação nenhuma na Bíblia. Jesus não era de modo algum inimigo das mulheres!"




Jostein Gaarder, em "O Mundo de Sofia"
Imagem: google.com, pesquisa em Marie Currie




Curioso não? Já agora...sabiam que o único cientista detentor de dois prémios Nobel é uma mulher (um em parceria certo é)?...Marie Currie




Pensar e sentir?...ou...Sentir e pensar?

"(...) Platão queria encontrar algo eterno e imutável no meio de todas as transformações. Deste modo, encontrou as ideias perfeitas, que são superiores ao mundo sensível. Além disso, para Platão, estas ideias eram mais reais do que todos os fenómenos da natureza. Primeiro, vinha a ideia «cavalo» - em seguida, todos os cavalos do mundo sensível, que galopavam como cópias na parede de uma caverna. Logo, a ideia «galinha» veio antes da galinha e do ovo.

Aristóteles achava que Platão tinha posto tudo às avessas (...) a ideia «cavalo» é, para ele [Aristóteles], apenas um conceito que nós homens formámos, depois de termos visto um determinado número de cavalos. Para Aristóteles, a «forma» cavalo consiste nas características do cavalo - diríamos hoje na espécie cavalo.

Vou precisar: pela «forma» cavalo, Aristóteles designa aquilo que é comum a todos os cavalos (...) Para Aristóteles, as «formas» residem nas próprias coisas como qualidades específicas das coisas.

(...) Para Platão, o grau máximo de realidade é o que pensamos com a razão. Para Aristóteles, é igualmente evidente que o grau máximo de realidade é o que percepcionamos ou sentimos com os sentidos. Segundo Platão, aquilo que vemos à nossa volta na natureza é apenas reflexo de algo que existe no mundo das ideias - e consequentemente na alma do homem. Aristóteles dizia exactamente o contrário: aquilo que está na alma do homem é apenas reflexo dos objectos da natureza. O mundo real é a natureza, segundo Aristóteles, enquanto Platão fica preso a uma concepção mítica do mundo que confunde as representações do homem com o mundo real.

Aristóteles aponta para o facto de que nada existe na consciência que não tenha existido primeiro nos sentidos. Platão poderia ter dito que não há nada na natureza que não tenha existido primeiro no mundo das ideias.

(...) Aristóteles defendia que tudo o que temos em pensamento e em ideias chegou à nossa consciência através daquilo que vimos ou ouvimos. Mas também temos uma razão inata (...) Aristóteles não [o] negava (...) Muito pelo contrário: para Aristóteles , a razão é precisamente a característica mais importante do homem. Mas a nossa razão está completamente «vazia» enquanto não sentirmos nada. Logo, um homem não possui «ideias» inatas."


Jostein Gaarder, em "O Mundo de Sofia"
Imagem: google.com, pesquisa em "Alegoria da caverna"

Pensar e sentir?...ou...Sentir e pensar?

14.7.07

Memória (II)



A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequenina a um canto do coração.

Henrique Maximiliano Coelho Neto

13.7.07

Amor



O amor é um rio onde as águas de dois ribeiros se misturam sem se confundir

Jacques Bossuet

12.7.07

Coragem Ilusória

"Há cinco espécies de coragem, assim denominadas segundo a semelhança: suportam as mesmas coisas, mas não pelos mesmos motivos. Uma é a coragem política: provém da vergonha; a segunda é própria dos soldados: nasce da experiência e do facto de conhecer, não - como dizia Sócrates - os perigos, mas os recursos contra eles; a terceira brota da falta de experiência e da ignorância, e por ela são induzidas as crianças e os loucos, estes quando enfrentam a fúria dos elementos, aquelas quando pegam em serpentes. Outra espécie é a de quem tem esperança: graças a ela, arrostam os perigos aqueles que, muitas vezes, tiveram sorte (...) e os ébrios; o vinho, de facto, excita a confiança.Outra ainda dimana da paixão irracional, por exemplo, do amor e da ira."

Aristóteles, em"'Ética a Eudemo"

Vamos sentir e pensar...qual o verdadeiro motivo por detrás da coragem que cada um de nós demonstra ou afirma possuir?

O que nos move verdadeiramente? Apenas a Coragem? Ou também... o Amor? a Ira? a Verdade? os Sonhos? os Desejos? a Intuição? os Valores? o (Des)Conhecimento?...

Sintamos e Pensemos...

JM

Memória

Uma boa memória não é uma grande memória (que se lembra de
muita coisa) mas sim uma memória crítica. Mais relevante que a informação que nos transmite a memória é a curiosidade que ela pode promover. (...) O conhecimento não se esgota na memória. Ao contrário, a memória deve ser um incentivo ao conhecimento.

Miguel Poiares Maduro